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Economia Solidária – uma economia construída por mulheres.

Escrito po: Maria de Fátima Costamilan - coordenadora da Agência de Desenvolvimento Sustentável

15/03/2013

A Economia Solidária traz como um de seus princípios fundantes a organização coletiva do trabalho.Esse princípio pressupõe a participação como essencial para o conhecimento dos processos cotidianos da prática laboral e corresponsabilidade de todas e todos com a gestão. Outra dimensão humanizadora é a relação solidária nas ações internas e externas, como base para a produção de um saber coletivizado e legitimado como de todas as pessoas.

As mulheres são a maioria na construção da Economia Solidária. Porém, a igualdade de participação entre homens e mulheres, em todos os seus espaços, ainda é um desafio a ser superado. Não podemos continuar reproduzindo a contradição, afirmando que as mulheres estão de fato em condição de igualdade, sendo que, no cotidiano da ação, isto não se reproduz. Ainda é consistente uma condição de desigualdade entre homens e mulheres.

Esta realidade nos leva a refletir sobre qual tem sido a contribuição dos processos vividos, como sujeitos políticos na Economia Solidária, para construção de novas práticas de superação das desigualdades de gênero. Como as mulheres estão neste espaço? Que poder elas exercem, ou não? Como a atuação neste espaço tem provocado mudanças concretas em suas vidas? Por que e como a economia solidária pode contribuir para a superação das desigualdades vividas pelas mulheres?

O movimento da Economia Solidária pode representar uma alternativa para mudarmos este quadro de desigualdade entre homens e mulheres. Essa é uma tarefa cotidiana de quem acredita nesse novo jeito de organizar, produzir, comercializar e consumir, pois, a Economia Solidária é um caminho possível para pensar a divisão sexual do trabalho, se garantir uma abordagem feminista em todos os seus processos.

Um debate central para a construção do feminismo dentro da Economia Solidária é o questionamento e o rompimento com a divisão sexual do trabalho. Para isto é preciso ampliar o conceito de trabalho e compreender que as chamadas esferas da produção e da reprodução, não são separadas e independentes. Pelo contrário, são esferas articuladas.

Esta mudança na concepção perpassa por reconhecer o trabalho não remunerado e invisível, realizado pelas mulheres, que é fundamental para a sustentabilidade da vida humana. Contribui também para buscarmos políticas públicas de cuidados, como creches, restaurantes comunitários e lavanderias comunitárias que reduzam o trabalho doméstico, bem como a divisão deste com os homens, e, assim, garantir às mulheres, a construção da sua autonomia econômica e social.

Como a Economia Solidária se baseia em princípios contra hegemônicos, pode parecer mais fácil avançar no rompimento com a divisão sexual do trabalho, mas a realidade dos empreendimentos reproduz, na prática cotidiana, estas amarras. As mulheres se concentram em empreendimentos menos valorizados e há uma naturalização do lugar das mulheres nos empreendimentos mistos. As mulheres são ainda são minoria nas direções e em outros espaços de decisão e, frequentemente, desempenham funções associadas às tarefas da esfera da reprodução.

Assim, o enfrentamento aos desafios colocados para a construção da Economia Solidária, com uma perspectiva feminista, passa por impulsionar que as mulheres rompam com o papel a elas colocado na sociedade e reproduzido nos empreendimentos, de modo que passem a assumir mais as tarefas de produção, comercialização, gestão financeira, negociação, incorporação das tecnologias, e que seja alterada a relação das mulheres com o crédito.

Um elemento fundamental da Economia Solidária, que estabelece relação direta de contribuição com a luta feminista, é a autogestão. Na construção da autonomia das mulheres, a autogestão pode nos levar à práticas de igualdade, garantindo às mulheres espaços de decisão e representação política.

Vale destacar as conquistas obtidas pela inserção da pauta das mulheres desde a IV Plenária Nacional de Economia Solidária -tivemos a ampliação da participação das mulheres em espaços de coordenação e atuação política; o critério de participação de pelo menos 50% de mulheres representantes de empreendimentos e entidades nos fóruns, e ainda, da nossa maior integração com os outros movimentos sociais, principalmente dos movimentos feministas que abarcam a economia solidária como uma de suas bandeiras.

Portanto a Economia Solidária pode contribuir com a luta feminista, na medida em que cria condições de desnaturalizar à separação de público e privado, produtivo e reprodutivo – desconstruindo a divisão sexual do trabalho; recolocando o olhar para o trabalho do cuidado das pessoas como uma esfera mantenedora e relacionada ao mundo produtivo.

A presença do feminismo no movimento de construção da Economia Solidária, sem dúvida será determinante para construir, de fato, outra economia com base na igualdade e autonomia de seus sujeitos.
 

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