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Greve geral no Brasil: é preciso barrar o golpe neoliberal

Escrito po: Wil Pereira - presidente da CUT-CE

23/09/2016

ARTIGO

O Dia Nacional de Paralisação, que levou milhares de trabalhadores e trabalhadoras a cruzarem os braços em todo o Brasil ontem, reafirma a força do nosso povo na defesa dos próprios direitos. Marca ainda firme posição contra o golpe político que levou Michel Temer à presidência do País. As ameaças gritam e agigantam-se mesmo antes da concretização do golpe: reforma da Previdência, reforma trabalhista, PEC 241, PLP 257 e tantos outros ataques, unidos por uma doutrina que os amarra – o neoliberalismo. Mas a classe trabalhadora também sabe gritar alto e se engrandece, seja na luta nas ruas, seja nos portões das fábricas, dos comércios, das repartições públicas, das escolas, das universidades.

 

A Previdência promove justiça social, reduz desigualdades e funciona ainda como um instrumento de distribuição de renda. Seu desmonte está incluído na imensa lista de prejuízos que podem ser causados pela gestão do atual presidente golpista pelo fato de agradar o projeto neoliberal que toma assento no País. Alterar a Constituição para congelar os gastos públicos por 20 anos, como propõe a famigerada PEC 241, é retirar investimentos em serviços públicos fundamentais à população, como saúde e educação. Aprovar o PLP 257, outra ameaça do Governo, representa um verdadeiro desmantelamento no serviço público e tem capacidade de destruição. Acabará com o aumento real do salário mínimo, que é a base para a maioria dos salários dos brasileiros, especialmente os aposentados e a população de mais baixo poder aquisitivo.

 

Uma greve geral e necessária se desenha, discutida de forma ampla e ramificada nas bases, em todos os estados. A luta é constante e diária, travada nos espaços públicos e nos locais de trabalho, movida por um conjunto de movimentos sociais e sindical, por uma sociedade civil organizada que não admite retrocessos. Voltar a décadas passadas, sob qualquer ponto de vista, é caminhar em sentido inverso a conquistas históricas e já institucionalizadas. É voltar à idade da pedra. Direitos a menos não interessam à democracia. Não vamos recuar. Não vamos retroceder.

 

(*) Artigo publicado originalmente na edição do O Povo 23.9.2016   

 



 

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