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Sobre o referendo no Reino Unido

Escrito po: Júlio Turra - Executiva Nacional da CUT

04/07/2016

O resultado do referendo de 23 de junho no Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte) não é uma vitória da direita, como se pretende fazer crer, é muito mais complexo.

Um fato que não se pode esconder é que o voto a favor da saída da União Europeia (UE) foi majoritário no eleitora­do popular. Em alguns distritos operários, o voto pela saída da UE ultrapassou 60%, com altas taxas de participação. Centros industriais votaram em massa pela saída.  

Os trabalhadores não acompanharam a posição da confederação sindical TUC, que fez uma campanha no mínimo enganosa, dizendo que todos os direitos trabalhistas britânicos existiam graças à UE (o que é rigorosamente falso). Também não acompanharam a direção do Labour Party (Partido Trabalhista), que fez campanha junto com os conservadores e David Cameron, primeiro ministro que se demitiu após o referendo. Jeremy Corbyn, dirigente do La­bour Party, também foi desautorizado com seu slogan “Uma outra Europa é possível, uma Europa social”.

Os partidários da permanência – conservadores, trabalhistas, autoridades da UE e mídia – tentaram identificar todos oponentes à UE como “nacionalistas” ou mesmo racistas.   

Sarah Friday, que é do Labour Party e sindicalista do Unite (maior federação da TUC), respondeu numa entrevista : « Os que dizem que foi uma voto racista tem desprezo pela classe operária e querem jogar no lixo o resultado do referendo. É claro que há racistas que votaram pela saída, assim como racistas que votaram pela permanência, pois preferem imigrantes brancos europeus que trabalhadores negros. O resultado terá efeitos positivos para os trabalhadores da Europa, cujas condições de trabalho e de vida são esmagadas pelo fato de seus países pertencerem à UE. Eles vão se levantar e dizer : ‘Já basta, vamos sair também !’ ». 

É preciso saber que três federações sindicais, RMT (ferroviários), Aslef (maquinistas) e BFAWU (alimentação) se posicio­naram pela saída da UE. Elas fizeram campanha contra a UE e contra os conservadores. No comunicado do “Lexit” – das palavras “left” (esquerda) e “exit” (saída) – podemos ler: “Essa campanha poderia ter sido uma grande cruzada do Labour Party, se tivesse se colocado à frente da revol­ta da classe operária. Isso permitiu à direita monopolizar uma vitória que não é verdadeiramente sua”.

 

Impactos políticos

O grupo parlamentar conservador se dividiu em dois no referendo e o partido continua em crise depois do resultado. No Labour Party, a campanha pela continuidade na UE reforçou a ala direita (Tony Blair), que esperava uma ocasião para questionar Corbyn (eleito por 60% de filiados e sindicalistas no ano passado). Hoje, Corbyn - por seu passado de oposição à UE - é acusado de responsável pela derrota.

Quais­quer que sejam as divisões da classe dominante britânica, existe um acordo dentro dela: continuar a destruir todas as conquistas operárias, os serviços públicos, os empregos e sindicatos construídos pelos tra­balhadores.

Por isso o comunicado do “Lexit” termina propondo: “A única coisa que a esquerda pode fazer ago­ra é se unir em torno deste resultado e combater os conservadores”.

No movimento sindical se discute como acabar com a austeridade, como aproveitar a crise dos con­servadores após o referendo para impor uma derrota ao seu governo.

Os trabalhadores do NHS (sistema de saúde), com suas greves, fizeram fracassar o pla­no de reforma de seu contrato de trabalho. Em 6 de julho, caso o acordo proposto pelo gover­no não seja satisfatório, farão greve de novo. A solidariedade de todo o movimento sindical e do Labour Party será necessária para obrigar o governo conservador a recuar. No NUT (sindicato dos professores), 92% dos filiados votaram por uma jor­nada de greve em 5 de julho, em defesa de suas condições de trabalho ameaçadas pelo projeto de privati­zação completa do ensino.

Sim, é a luta de classe que dará a última palavra no Reino Unido e em toda a Europa, como mostram também as greves em curso na França, contra um governo de “esquerda” que aplica a política da UE.

(*) Artigo publicado originalmente no site da CUT Nacional

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