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#OCUPACE: Acampamento em Fortaleza reforça resistência por Lula livre

14/04/2018

Disposição de luta é grande e todos estão decididos a resistir até que Lula seja colocado em liberdade. Praça da Justiça tem recebido centenas de pessoas diariamente, com intensa programação

Escrito por: Raquel Chaves/CUT-CE (*)

Acampamento teve início dia 11 de abril, e foi palco de ato político ao fim da caminhada por Lula livre que teve início na Praça da Bandeira (Foto: Thainá Duete/CUT-CE)

Enquanto o ex-presidente Lula enfrenta em uma solitária a fúria daqueles que não aceitam o legado de seu governo, que tirou milhões de brasileiros da fome e da miséria, milhares de Lulas espalhados pelo Brasil seguem na resistência em solidariedade à maior liderança popular do país. Além de atos de desagravo, cartas de apoio, panfletagens e diálogo com a população, a militância cearense está organizada, desde o dia 11 de abril, no “Acampamento Lula Livre Ceará: a resistência somos nós!”, no Centro de Fortaleza. Além da capital cearense e de Curitiba-PR, em frente à sede da Superintendência da Polícia Federal, um acampamento Lula Livre também está instalado em Brasília.

Em Fortaleza, o acampamento permanece por tempo indeterminado, com atividades todos os dias. Atos, tribunas livres, aulas públicas, oficinas, plenárias e atrações culturais estão sendo organizadas diariamente pelos movimentos populares de mais de 100 municípios do estado que compõem as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Fim da manhã deste sábado (14/4) no Acampamento Lula Livre em Fortaleza: militância resiste (Foto: Thainá Duete/CUT-CE)O número de pessoas acampadas de forma fixa na Praça Murilo Borges, mais conhecida como Praça da Justiça porque fica em frente à sede da Justiça Federal, gira em torno de 400 militantes. Esse público aumenta durante o dia devido às centenas de pessoas que circulam pelo acampamento para participar da intensa agenda de programações. No acampamento, é possível escrever também cartas para o presidente Lula.

Segundo Josivaldo Oliveira, da Via Campesina e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a disposição de luta é grande e estão todos muito animados a resistir até que Lula seja colocado em liberdade. Segundo ele, que é um dos coordenadores do acampamento, a avaliação da organização é positiva: “Têm nos chegado doações tanto de pessoas ligadas aos nossos movimentos, quanto de pessoas que não são ligadas às Frentes. Chegam alimento, material de higiene, água. O povo de Fortaleza tem sido bastante solidário”.

 

Brigada leva informações aos moradores e moradoras do Pirambu, neste sábado (14)(Foto: MAB-CE)Brigada e diversidade cultural

A partir deste sábado (14), uma brigada começou a dialogar diretamente com o povo pelas ruas do Centro e nos bairros, com distribuição de material de esclarecimento sobre a prisão injusta de Lula, incluindo a edição nacional especial do Brasil de Fato e a nota produzida pela CUT-CE. Também neste sábado, foi organizado um ato em memória de um mês da execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes. A concentração ocorreu no Estoril, na Praia de Iracema, no fim da tarde.

Na estreia da programação cultural, na quinta-feira (12/4), Calé Alencar e Parahyba  reforçaram que a arte é parceira de lutas pela democracia e pela liberdade. Os artistas que vêm se apresentando na programação cultural do acampamento também  estiveram junto da população quando se começou a anunciar o golpe, dois anos atrás, desde a época do impeachment.

Na sexta-feira (13/4)  pela manhã, além de uma tribuna popular, foi realizada um aula pública intitulada: “Mídia e Golpe”, com os/as jornalistas Camila Garcia (Consulta Popular/Brasil de Fato), Rafael Mesquita (Sindjorce/FNDC-CE), Uirá Porã (Mídia Ninja) e Isabelle Azevedo (Coletivo de Comunicadoras da Marcha Mundial das Mulheres). Mais oficinas e apresentações musicais de artistas cearenses seguiram pela tarde, que finalizou com um ato ecumênico e interreligioso por Lula Livre .

A expectativa é de que o acampamento continue reunindo cerca de 400 pessoas dormindo no local até a próxima semana, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) poderá avaliar as duas Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) que tratam da legalidade da prisão após condenação em segunda instância, como é o caso do ex-presidente Lula, que cumpre decisão judicial antes mesmo da conclusão do processo que responde (sem crimes nem provas) em todas as instâncias da Justiça, como prevê a Constituição.

 

20ª edição da Feira da Reforma Agrária foi à praça - resistência do passado e do presente (Foto: Thainá Duete/CUT-CE)Resistência do passado e do presente

O acampamento está sendo importante também pela aproximação de várias organizações populares do campo e da cidade e dos partidos políticos que compõem as duas Frentes (Brasil Popular e Povo Sem Medo). Na avaliação de Manoel Missias Bezerra (MST-CE), o acampamento em Fortaleza “tem cumprido muito bem o papel de unir a classe trabalhadora em defesa da democracia e de Lula livre”. A escolha do local onde centenas de cearenses se instalaram desde o último dia 11 também é simbólica: “Na verdade, estamos bem em frente ao prédio da Injustiça. E é uma crítica que fazemos à forma como todo esse processo está sendo conduzido”, enfatiza Missias.

O dirigente também destaca a decisão de trazer a Feira da Reforma Agrária do Ceará para o acampamento. A feira mensal chegou à sua 20ª edição indo à praça neste sábado. “Foi algo que agradou a todos e todas e que é muito significativo: juntamos a resistência dos assentados e acampados do passado – com a venda da produção agroecológica dos assentamentos – aos resistentes que lutam neste momento”.

Ainda na Praça, pela manhã, houve debate político (MST/MTST/Marcha Mundial das Mulheres/Fórum /Setorial de Mulheres Rosa Luxemburgo, almoço coletivo e atração musical com as meninas do grupo Damas Cortejam. A tarde do sábado foi reservada a oficinas e bicicleta em direção ao Estoril, onde houve o ato pró-Marielle.

 

Doações são bem-vindas
Quem está distante e não consegue ficar permanentemente no acampamento pode ajudar fazendo doações. Toda doação é bem-vinda e é uma forma de fortalecer a luta, dizem os organizadores do acampamento. Todas as doações podem ser entregues diretamente no acampamento (Praça Murilo Borges - Centro) ou na sede do PT Ceará (Av. da Universidade, 2.189, Benfica).

 

(**) Um grande ato político marcou a primeira noite no Acampamento “Lula Livre Ceará: a resistência somos nós!” , quando 10 mil pessoas saíram da Praça da Bandeira, em caminhada pelo Centro de Fortaleza até a Praça Murilo Borges. VEJA AQUI.

(***) Leia mais sobre o acampamento por Lula livre em Fortaleza no portal Brasil de Fato.

 

(*) Colaborou Tatiana Melim/CUT Brasil

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